Na abertura da 17ª Cúpula do BRICS, realizada neste domingo (6) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rompeu o protocolo diplomático com um pronunciamento carregado de críticas e tensão geopolítica. Diante dos líderes internacionais, Lula condenou de forma veemente o avanço militar global e classificou como genocídio a tragédia em curso na Faixa de Gaza, reacendendo os holofotes sobre a guerra no Oriente Médio.

Em uma fala direta e incisiva, o presidente brasileiro atacou a decisão recente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de ampliar gastos militares, alegando que a medida impulsiona uma nova e perigosa corrida armamentista mundial. Para Lula, tal movimento alimenta confrontos e agrava ainda mais o cenário internacional, já mergulhado em crises humanitárias profundas.

Segundo ele, o mundo atravessa um dos momentos mais sombrios desde a Segunda Guerra Mundial, com uma quantidade inédita de conflitos simultâneos, incluindo guerras prolongadas, instabilidade política e violações sistemáticas dos direitos humanos.

A fala surpreendeu parte da comitiva diplomática, que esperava um tom mais moderado na condução da cúpula. No entanto, Lula escolheu dar ênfase à urgência de paz, cobrando protagonismo internacional do BRICS frente às potências ocidentais e convocando uma revisão moral sobre o papel de países ricos nos conflitos armados.

O evento, sediado no Rio de Janeiro, segue até esta segunda-feira (7), com a presença de delegações da China, Rússia, Índia, África do Sul e Brasil — em um momento em que os olhos do mundo se voltam para o que foi chamado por especialistas de “grito ético contra a guerra”.

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