O clima de festa na entrega do novo anel viário em Pires do Rio, interior de Goiás, foi tomado por um episódio inesperado: o próprio prefeito da cidade transformou a cerimônia em palco de duras críticas ao governo estadual. Em meio a autoridades e moradores, o gestor municipal denunciou o que chamou de “prioridades invertidas”.
O estopim da polêmica foi o valor investido na obra: R$ 75 milhões, mais que o dobro do orçamento inicial estimado em R$ 27 milhões. Apesar do investimento elevado, o hospital municipal continua de portas fechadas, sem água, sem energia e sem estrutura para atender quem sofre com os frequentes acidentes ocorridos no mesmo anel viário recém-inaugurado.
A fala do prefeito — inicialmente uma conversa privada com o governador durante o trajeto ao evento — acabou sendo levada ao microfone. Ele usou a oportunidade para escancarar as deficiências gritantes na saúde e na educação do município.
Segundo o prefeito, faltam mais de 130 vagas em creches, e há mais de quatro décadas Pires do Rio não recebe uma nova escola pública. Enquanto isso, o crescimento populacional pressiona ainda mais os serviços essenciais já precários.
A reação dividiu opiniões: enquanto alguns viram coragem e compromisso, outros interpretaram como afronta política. O que ficou evidente, no entanto, é que a cidade clama por estrutura básica, enquanto o dinheiro público parece correr em outra direção.

