O governo dos Estados Unidos, por meio de decreto assinado em 30 de julho de 2025, estabeleceu uma sobretaxa de 50% sobre produtos exportados do Brasil, com aplicação prevista a partir de 6 de agosto ou 1º de agosto, de acordo com diferentes fontes. A medida acrescenta 40 pontos percentuais à tarifa base de 10%, em vigor desde abril deste ano.

A justificativa oficial se refere a “ameaças incomuns e extraordinárias à segurança nacional e à política externa dos EUA”, citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado aliado de Trump, como motivação política. Apesar dos EUA registrarem superávit comercial com o Brasil em 2024 (cerca de US$ 6 a 7 bilhões), a retórica justifica o ato sob a interpretação de emergência prevista na lei americana IEEPA.

No entanto, o decreto estabelece exceções a setores estratégicos, incluindo aviões civis (como os da Embraer), bebidas como suco de laranja, produtos energéticos, celulose e madeira. O anúncio reduziu apreensões em mercados sensíveis; as ações da Embraer subiram cerca de 11% e da Suzano, mais de 1%.

O governo brasileiro, por sua vez, manifestou forte oposição à medida. Em resposta, acionou a Lei da Reciprocidade Comercial, editou decreto de regulamentação e apresentou recurso junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). O ex–vice-presidente Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, continuam tentando canalizar um acordo diplomático com os EUA.

Especialistas alertam para riscos econômicos severos ao Brasil: os setores voltados à exportação de commodities como café, carne, minério, ferro e petróleo podem ser duramente afetados, com projeções de queda no PIB e pressões inflacionárias.

Embora o Brasil avalie medidas retaliatórias, analistas destacam que a estratégia norte-americana encontra resistência jurídica interna: diversas ações nos Estados Unidos questionam a legalidade do uso da IEEPA para impor tarifas bilaterais, caso que pode chegar ao Supremo Tribunal americano.

O Brasil reforçou sua posição, com o presidente Lula afirmando ser “inquebrantável” em defesa da autonomia institucional e rechaçando qualquer forma de tutelagem externa. A tensão se insere em nova fase de confrontos entre Brasil e Estados Unidos, marcados por interesses econômicos, denúncias de ingerência política e disputas geopolíticas.

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