Após semanas de promessas duras e ameaças comerciais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou novamente a entrada em vigor do polêmico tarifaço global — que atingiria dezenas de países com aumentos abruptos nas alíquotas de importação.
A medida, que deveria começar a valer em 1º de agosto, foi oficialmente prorrogada para o próximo dia 7 de agosto, segundo ordem executiva assinada pelo republicano nesta quinta-feira (31). A decisão impacta parceiros comerciais em todos os continentes, inclusive o Brasil.
Brasil atingido, mas com “desconto”
Na lista publicada pela Casa Branca, o Brasil aparece com uma alíquota recíproca reajustada de 10%. Isso se soma ao aumento anterior de 40 pontos percentuais, anunciado por Trump, totalizando uma tarifa de 50% sobre certos produtos brasileiros — embora ainda com exceções para aeronaves civis, petróleo e outros itens estratégicos.
O decreto menciona “ameaças incomuns à segurança nacional e à economia americana” como justificativa para os aumentos tarifários, colocando o Brasil entre mais de 70 nações afetadas por esse endurecimento nas relações comerciais.
Mercados em alerta e bolsas em queda
O anúncio gerou forte repercussão nas bolsas internacionais, acentuando o clima de instabilidade econômica provocado pelas decisões de Trump. Na Ásia, o índice Nikkei 225 do Japão recuou 0,43%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul caiu 1,08%. Em Taiwan, a queda superou 1%.
Na Europa, o impacto foi ainda mais severo: ações atingiram o menor nível em três semanas. O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu quase 1%, enquanto o DAX alemão recuou 1,1%. Empresas farmacêuticas como Novo Nordisk e Sanofi despencaram após receberem pressão direta do governo americano para reduzir o preço de medicamentos.
Efeito dominó: incerteza atinge diversos setores
Além das tarifas, Trump enviou cartas oficiais a líderes de gigantes farmacêuticas, o que provocou quedas recordes em ações do setor. Com isso, o efeito dominó atingiu também empresas aéreas, de bebidas e tecnologia, aumentando a tensão nos mercados globais.
Especialistas apontam que a política externa “tarifária e combativa” de Trump pode redefinir alianças comerciais e comprometer acordos em andamento com países como Japão, México, Canadá e a própria União Europeia.
Enquanto isso, o Brasil aguarda os próximos passos de Washington — e monitora, com cautela, os impactos reais na balança comercial e nas exportações.

