Pouco antes de ser surpreendido pela Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o empresário Sidney de Oliveira, fundador da rede Ultrafarma, já havia firmado um acordo bilionário para encerrar outra acusação criminal que pesava contra ele.
O ajuste, avaliado em R$ 32 milhões e homologado recentemente pela Justiça, foi assinado com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo documentos, o compromisso prevê o pagamento em 60 parcelas e se refere a um processo distinto do que culminou na prisão do empresário na última terça-feira (12).
Na negociação, Sidney admitiu ter participado de organização criminosa ligada a fraudes fiscais — prática investigada em 2023 pela Operação Monte Cristo, que apurou um suposto esquema de sonegação e lavagem de dinheiro no setor farmacêutico. Além do valor milionário, ele também arcará com multa de R$ 91 mil.
A defesa, representada pelo advogado e ex-deputado Fernando Capez, afirma que o acordo foi uma medida estratégica para garantir segurança jurídica e evitar a continuidade de um processo judicial exaustivo.
Paralelamente, o MP-SP acusa Sidney de envolvimento em um sofisticado esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda do Estado, que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021. No centro das investigações está o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como o articulador que acelerava e manipulava o ressarcimento irregular de créditos tributários de grandes empresas, como a própria Ultrafarma e a varejista Fast Shop.
Durante a ofensiva policial, que cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em diversas cidades paulistas, foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em espécie, esmeraldas e documentos que reforçam as suspeitas. Além de Sidney, outros cinco alvos, entre auditores fiscais e executivos, também acabaram presos.

