Quase três décadas após a criação da lei que tornou o cinto de segurança obrigatório no Brasil, o descuido de motoristas e passageiros continua sendo um dos maiores inimigos da vida no trânsito. O dispositivo, previsto desde 1997 no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é capaz de reduzir em até 60% o risco de morte e ferimentos graves, mas ainda é ignorado por milhares de brasileiros.

Estudos da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) revelam que, para quem ocupa os bancos dianteiros, o cinto corta drasticamente o risco de não sobreviver a uma colisão. Já nos bancos traseiros, a redução de risco chega a 44%, um número que poderia mudar o destino de muitas famílias que hoje choram a perda de entes queridos.

O impacto do descuido
Não faltam exemplos trágicos que reforçam a importância do cinto. Em dezembro de 2024, um jovem de apenas 23 anos faleceu ao colidir contra um caminhão, no município de Cocalzinho de Goiás. Ele estava sem o cinto. Outro caso que marcou o país foi o acidente que vitimou o cantor Cristiano Araújo e sua namorada Allana Moraes, há 10 anos: ambos estavam no banco de trás, sem proteção, e foram lançados para fora do veículo.

O que diz a lei
O artigo 167 do CTB é claro: quem não usar o cinto de segurança comete infração grave, leva multa de R$ 195,23 e recebe cinco pontos na CNH. O detalhe que muitos esquecem é que a penalidade também recai sobre o motorista caso qualquer passageiro esteja sem o cinto — inclusive se for no banco de trás. Vale lembrar ainda que o uso incorreto, como colocar a faixa por trás do corpo ou debaixo do braço, também caracteriza infração.

Crianças e animais em risco
A proteção vai além dos adultos. O transporte de crianças é regulado pela Resolução 918/2021 do Contran e exige dispositivos específicos conforme a idade e o peso: bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação. Só a partir dos 10 anos, e com altura mínima de 1,45 m, é permitido viajar no banco dianteiro.

Já os animais de estimação também precisam de atenção especial. O Detran-GO alerta que pets soltos no carro podem ser arremessados durante um acidente, colocando em risco não apenas a própria vida, mas também a dos ocupantes. A recomendação é usar cintos específicos ou caixas de transporte, garantindo a segurança e o bem-estar do animal.

O alerta que não pode ser ignorado
Mesmo depois de quase 30 anos da lei em vigor, o cinto de segurança ainda precisa ser lembrado como arma vital contra a morte no trânsito. O número de vítimas que poderiam estar vivas hoje se tivessem usado o equipamento é incalculável. Cada vez que alguém entra em um veículo e decide ignorar o cinto, está assinando um contrato com a tragédia.

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