Jovem morto por leoa em João Pessoa tinha histórico de vulnerabilidade social e acompanhamento institucional desde a infância
A morte de Gerson de Melo Machado, 19 anos, após invadir o recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa, trouxe à tona uma trajetória marcada por vulnerabilidades profundas. O caso reacendeu debates sobre saúde mental, políticas públicas e acompanhamento de jovens em situação de risco.
Gerson, conhecido como “Vaqueirinho”, cresceu em um cenário de pobreza extrema, ausência familiar e sucessivas passagens por abrigos públicos. Segundo o Conselho Tutelar, ele era acompanhado desde os 10 anos e acumulou 16 registros de ocorrência relacionados a conflitos com a lei. Sua mãe, diagnosticada com esquizofrenia, não tinha condições de oferecer cuidado adequado, o que o levou a viver entre instituições e períodos na rua.
A conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o jovem por quase uma década, afirma que o caso evidencia falhas nos mecanismos de proteção social. “Gerson sempre demonstrou curiosidade e fantasia sobre animais selvagens, mas nunca recebeu o acompanhamento psicológico necessário para entender os riscos e lidar com seus próprios conflitos”, relatou.
A divulgação de um vídeo antigo — em que o jovem aparece rindo ao descer de uma viatura e comentando sobre ter quebrado um carro — reacendeu discussões sobre como episódios de indisciplina podem estar associados a transtornos não tratados e contextos de negligência social.
Especialistas apontam que a história de Gerson não é isolada: mostra como a falta de suporte contínuo, atendimento especializado e políticas eficazes de inclusão podem contribuir para trajetórias marcadas por rompimentos e riscos crescentes.
A TV TUPIRAÇABA seguirá acompanhando o desdobramento do caso e as discussões sobre proteção à juventude, saúde mental e medidas preventivas para evitar que situações semelhantes se repitam. 📺

