A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou mais um capítulo após a recente declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que agora adota um discurso mais cauteloso ao comentar o tarifaço anunciado por Donald Trump. O parlamentar afirmou publicamente que nunca defendeu sanções comerciais contra o país e que suas ações teriam como alvo apenas autoridades específicas — especialmente o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Durante entrevista concedida ao podcast Inteligência Ltda, Eduardo declarou que seu objetivo sempre foi pressionar o governo norte-americano a adotar sanções individuais contra figuras que, segundo ele, colocariam em risco a liberdade institucional no Brasil. Ainda segundo o deputado, a decisão de Trump de aplicar tarifas mais severas às exportações brasileiras teria sido uma escolha pessoal do ex-presidente americano — e não fruto direto de sua articulação.
Apesar dessa nova versão, há três semanas, o próprio Eduardo assinou uma carta conjunta com o economista Paulo Figueiredo, na qual celebrava o anúncio de Trump como uma resposta direta às denúncias apresentadas por ambos em solo norte-americano. No documento, os dois destacavam o “sucesso na transmissão da realidade brasileira às autoridades estrangeiras”, sinalizando que havia alinhamento entre as ações de bastidores e a decisão do ex-presidente dos EUA.
A mudança de postura por parte do parlamentar tem gerado críticas tanto da base governista quanto de setores independentes. Enquanto aliados tentam preservar a imagem de Eduardo, opositores o acusam de instigar uma medida que poderia prejudicar gravemente a economia nacional, especialmente setores do agronegócio e da indústria de exportação.
Com a retórica recuada, Eduardo Bolsonaro busca agora se distanciar de qualquer responsabilidade sobre os possíveis impactos econômicos do tarifaço. O episódio, no entanto, amplia a discussão sobre os limites da atuação internacional de representantes eleitos e os reflexos que discursos externos podem causar à soberania e à estabilidade comercial brasileira.

