Doenças históricas ainda preocupam: peste bubônica, hanseníase e cólera surgem em surtos localizados
Esses episódios expõem desigualdades sociais e falhas no acesso à prevenção e aos serviços de saúde, especialmente em regiões mais vulneráveis.
A confirmação de um caso de peste bubônica no final de agosto, nos Estados Unidos, reacendeu o alerta global.
Muitos acreditam que essa enfermidade — conhecida na história como “peste-negra” — tenha ficado no passado, restrita à Idade Média, período em que provocou a morte de 75 a 200 milhões de pessoas em todo o mundo.
No entanto, ela ainda existe, assim como outras doenças históricas que persistem silenciosamente.
Além da peste bubônica, cólera e hanseníase são exemplos de doenças que continuam afetando populações, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social.
Segundo a infectologista Christiane Reis Kobal, do Hospital Israelita Albert Einstein, essas condições são chamadas de doenças negligenciadas por diversos motivos.
“A prevalência de muitos desses problemas está relacionada a cenários de baixa condição socioeconômica e à ausência de vacinas eficazes para erradicar ou controlar os patógenos”, explica a médica.
Essa combinação de fatores favorece o surgimento de novos surtos ou casos isolados em locais onde as condições sanitárias e o acesso à saúde pública são limitados.
Do ponto de vista biológico, todos os microrganismos patogênicos procuram se perpetuar.
Isso significa que, mesmo diante de medidas de controle e prevenção, eles buscam formas de adaptação para continuar se reproduzindo.
A seleção natural, portanto, atua no sentido de favorecer as variantes mais resistentes, capazes de driblar os mecanismos de proteção humana.
Esses episódios lembram que, apesar dos avanços científicos e tecnológicos, o combate às doenças infecciosas ainda depende de investimentos em saúde pública, educação sanitária e redução das desigualdades sociais.

