Durante evento oficial de lançamento do Plano Safra 2025/2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a abordar a atual política de juros do país, destacando que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda lida com os efeitos das decisões tomadas por sua gestão anterior. Lula classificou a taxa básica Selic em 15% ao ano como um entrave à expansão da economia e à redução da desigualdade.
Desde setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo de aumentos que resultou em sete elevações consecutivas na Selic, elevando a taxa para seu maior patamar desde 2006. O principal objetivo da medida, segundo o Banco Central, é conter a inflação, que ainda apresenta resistência à convergência para a meta estipulada, principalmente em setores sensíveis como alimentos.
Apesar das críticas internas ao Banco Central, Lula demonstrou confiança de que ajustes virão com o tempo. A valorização do real frente ao dólar e o controle mais estável da inflação fortalecem a expectativa de uma mudança gradual na política monetária. No entanto, os analistas do mercado continuam projetando uma Selic em dois dígitos até o fim do atual mandato, com previsões de 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.
Com a próxima reunião do Copom prevista para o final de julho, cresce a atenção sobre uma possível mudança de postura do órgão. A política de juros é vista como central nas discussões sobre estímulo à produção, retomada de investimentos e fôlego para as famílias brasileiras que enfrentam dificuldades no acesso ao crédito.

