Durante sua participação no 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Goiânia nesta quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou um dos discursos mais incendiários de sua atual gestão. Diante de milhares de estudantes reunidos no evento, Lula mirou com veemência figuras políticas que, segundo ele, representam ameaças à soberania nacional e à democracia brasileira.
O palco do congresso, que deveria ser voltado ao debate acadêmico e à juventude universitária, se tornou o epicentro de um confronto ideológico declarado. Lula utilizou o espaço para criticar duramente o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevando o tom contra o que classificou como “alianças políticas nocivas ao povo brasileiro”.
O presidente denunciou o alinhamento incondicional do governo anterior aos interesses norte-americanos, criticando posturas que, em sua visão, colocaram o Brasil em posição de subserviência internacional. Sem citar diretamente, atacou a postura de ex-gestores que demonstraram admiração irrestrita aos EUA, classificando tais atitudes como “ofensivas à dignidade nacional”.
O clima no Congresso esquentou com aplausos e gritos entusiasmados da militância estudantil, que respondeu com fervor às provocações políticas. Lula também ressaltou a importância da mobilização da juventude frente ao cenário global de retrocessos democráticos, conclamando os estudantes a permanecerem em luta contra o autoritarismo e o ultranacionalismo.
A participação do presidente no evento, que já era considerada histórica, ganhou ainda mais destaque pela carga simbólica de seu discurso, que escancarou a divisão ideológica que segue viva no coração da política brasileira.

