A prisão do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, revisitou uma série de denúncias sobre a rotina de adolescentes que viviam sob sua tutela em uma mansão localizada em João Pessoa (PB). Ambos foram detidos em São Paulo (SP), acusados de tráfico de pessoas e exploração sexual de menores.

As investigações, conduzidas pelo Ministério Público do Trabalho da Paraíba e pela Polícia Civil, revelam relatos de ex-funcionários que descrevem um ambiente marcado por rigidez extrema e restrições severas. Segundo os depoimentos, jovens tinham a rotina controlada, com horários definidos para comer, dormir e até mesmo usar o celular.

Outro ponto que chama a atenção é a ocorrência de festas frequentes, nas quais bebidas alcoólicas eram disponibilizadas livremente, inclusive para adolescentes. Testemunhas também afirmam que os jovens gravavam vídeos diariamente, em muitas ocasiões com danças de teor sensual, destinados às redes sociais do influenciador. Esse conteúdo seria utilizado para gerar lucro por meio de rifas, sorteios e contratos de publicidade.

Segundo os depoimentos, a casa funcionava como uma espécie de “reality particular”, com adolescentes sendo expostos em busca de audiência digital. Há ainda registros de que uma das menores engravidou durante o período em que vivia na mansão, mas acabou sofrendo um aborto.

Além do impacto emocional e físico, as investigações apontam que a vida escolar dos adolescentes também foi comprometida: atrasos, faltas prolongadas e até períodos de até 50 dias sem frequentar a escola foram identificados.

Outro detalhe grave é que pais de alguns jovens recebiam mensalidades que variavam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil para permitir que seus filhos permanecessem sob os cuidados de Hytalo. Mesmo assim, o Conselho Tutelar não chegou a registrar denúncias formais.

O influenciador, que começou a carreira dando aulas de dança em praças públicas, conquistou notoriedade com vídeos envolvendo adolescentes e passou a ostentar mansões e carros de luxo. Em sua defesa, os advogados afirmam que as acusações são “exageradas” e negam a prática de exploração.

As principais redes sociais, incluindo Meta, YouTube e TikTok, confirmaram a exclusão das contas de Hytalo e Israel, ressaltando políticas rigorosas contra exploração e sexualização infantil.

O Ministério Público sustenta que existem provas robustas de aliciamento e exploração, e que adolescentes foram levados de outras cidades para trabalhar em condições análogas à servidão. Após a prisão do casal, os jovens foram devolvidos às famílias.

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